domingo, 16 de outubro de 2016

Suicídio – a vida sem sentido

Com o passar do tempo a ideia de suicídio fica cada vez mais forte na minha cabeça. Isso não é algo recente. A primeira vez que pensei nisto foi aos 17 anos. Não só pensei como foi a minha primeira tentativa. Foi também a vez que cheguei mais perto de ser bem sucedido. Um cinto estilo cordão foi o suficiente para que eu amarrasse uma ponta à janela e o meu pescoço na outra. Não havia altura suficiente, mas isso não impede que alguém se mate por um "reflexo de vida", como pode comprovar muitas fotos de pessoas que se mataram com o joelho dobrado. O que me impediu naquela vez foi que eu quase desmaiei com falta de ar e fiquei com medo. Eu também não queria me matar naquele local que era o canto de uma pessoa que eu gostava bastante e que, sei lá porque, era o único lugar que tinha tranca na casa em que eu podia ficar isolado.

A segunda tentativa, foi bem mais elaborada e arquitetada. Não me lembro exatamente a idade, talvez entre 21 e 23 anos. Não sei se eu estava na faculdade ou se foi no primeiro ano após formado. Achei um barbante grosso que pertencia ao meu pai desde quando eu era criança e pensei “é grosso o suficiente, mas para garantir vamos trançar 3 destas entre si”. Peguei uma escada que não tinha um pé, então, era muito fácil cair dela. Amarrei minhas mãos com bastante fita adesiva para evitar que eu segurasse em algum lugar se eu me arrependesse ou ficasse com medo como da primeira vez. Tudo estava pronto e eu decidido. Amarrei a cordinha na madeira do alpendre, subi na escada com as mãos amarradas na frente, coloquei a outra ponta da cordinha no pescoço e fiquei lá pensando na vida que eu não tinha, no fracasso que eu era e em tudo o que eu queria ter e não conseguia. Enfim, pensava coisas que qualquer pessoa com depressão pensaria. E no meio destes pensamentos, perdi o equilíbrio na escada e caí. Foi muito rápido. Senti que estava feito. No entanto aquele barbante que eu conhecia desde criança estava podre e não me aguentou. E eu caí no chão e fiquei lá deitado igual a um idiota, pensando que “nem para me matar eu sirvo”. Mas foi o suficiente para entender que na próxima vez, tenho que usar uma corda de verdade, nova, comprada a pouco tempo e que agüente bastante peso. Neste dias, minha irmã ouviu o barulho e um tempo depois foi lá ver o que tinha acontecido. Mas, ainda bem, ela era muito tapada (tipo aquela venda usada por cavalos para só enxergar para frente e não ao redor) e não conseguiu ligar os objetos da cena ao que estava acontecendo. Então, nunca ninguém me pentelhou por isso. Acho que nunca nem desconfiaram.

O meu problema é que eu tento fazer a coisa ficar menos grave para outras pessoas. Então, coisas como quem vai me encontrar, o local - para que lugares que onde existiu um mínimo de felicidade não fique marcado como o local em que matei – e a possível tristeza das pessoas que eu gosto me dão uma impedida de fazer as coisas sem pensar.   

Nesta semana fiquei muito mal, pior do que nas outras. E isso está aumentando gradativamente. Sexta-feira, eu estava bem ruim. Se tivesse uma corda e não tivesse tanta gente, talvez seria o dia. É por isso que me esforço em não ter uma corda. Mas estou pensando seriamente em comprar uma, aqui na cidade ou pela internet. Ainda não tenho coragem, mas um dia acho que vou ter.

As pessoas ficam felizes por coisas que eu não entendo.

Não tenho mais prazer em fazer muitas coisas e fica cada vez mais difícil fingir em casa para as crianças que eu estou normal. Os outros acham que o meu normal é ser esquisito, quando na verdade foram eles que me obrigaram a isto através de imposições; demonstrações de “eu mando e você obedece”; indiferenças – se eu estou bem, tanto faz se o outro está bem ou mal; falsidades – falar mal de todo mundo e saber que quem faz isso fala mal de você também, o que me leva a não confiar nesta pessoa; mentiras – não sei no que e em quem acreditar na vida; só ter responsabilidades, só trabalhar e não saber (e não ter prazer em) “curtir” a vida como a maioria; saber que as pessoas exigem de você o que elas não tiveram condições de alcançar nem pra elas; só ser lembrado quando tudo dá errado e nunca quando as coisas dão certo; falta de relacionamentos – namorada ou amigos, sempre fui induzido a pensar que não se pode confiar em ninguém e a vida confirmou isto porque as pessoas se precisarem, passam um trator em cima de você; dinheiro – tenho pouco, sei que tenho mais do que muita gente, mas minha cabeça acha que a vida existe para isso (ganhar dinheiro) e nunca entendeu porque as pessoas acabam com suas vidas (inclusive eu) por um pedaço de papel ou números virtuais no banco; não tenho prazer em gastar dinheiro, pelo contrário me sinto mal porque acho que vai me fazer falta no futuro como já aconteceu outras vezes; a busca pelo perfeccionismo que me impede de conseguir qualquer coisa porque eu sei que nada é perfeito, mas mesmo assim me sinto frustrado quando as coisas não saem como deveriam; nunca estar à altura do que as pessoas esperam; não ter ninguém com quem realmente contar na vida sem ser julgado.  


Enfim, não vejo e nunca vi sentido na vida. E não sei o que estou fazendo aqui.     

Eduardo Ax

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Sem Vontade de Viver

Hoje me dei conta que perdi a vontade de viver. Nesta semana, pensei bastante em suicídio. Cheguei ao ponto de quase comprar uma corda e até aprendi a fazer um nó de forca vendo vídeos no YouTube.

Cheguei a esta conclusão depois de notar várias situações em que pessoas normais se sentiriam animadas, empolgadas; e eu percebi que no lugar já não me sentiria assim.

Mesmo com situações adversas, as pessoas insistem e vão em frente. Mesmo que tudo dê errado, elas não desanimam e tentam novamente. Eu não. Estou no ponto de não ter nem a empolgação inicial porque a só possibilidade de dar errado me desanima.

Exemplos:

Minha mãe com mais de 60 anos tirou uma nova carta para poder comprar um carro para deficientes com benefícios financeiros. Ela teve de repetir todo um processo de autoescola. E ainda teve de procurar um advogado para arrumar toda uma papelada e ir a médicos para pegar laudos. Com certeza deve ter dado um trabalhão e, para mim, ela não reclamou nem um pouco sobre nada disso. Aliás, eu quase nem fiquei sabendo. Eu não teria ânimo para encarar tudo isto, mesmo sabendo há um bom desconto de 30% ao comprar um carro novo.

Outro exemplo é festa do peão. Eu não tenho nenhuma vontade de ir, nem ânimo. Às vezes, penso “Que bom que eu não namoro, porque eu não gostaria de ir nesta festa”. Vejo as pessoas super-animadas e ela vão todos os dias. Fico um pouco incomodado com isso, fico com um pouco de inveja porque imagino que eles se divertirão horrores e eu não. Ao mesmo tempo, tenho a sensação de que se eu for, não será nada divertido. Então, eu não gosto da festa, mas me sinto isolado e mal porque todo mundo vai e eu não. Fico com a sensação de que a minha vida será vazia e não vou ter histórias para contar.

Mais um exemplo foi um churrasco na casa da minha irmã. Ela me chamou em cima da hora, mas eu tinha que trabalhar. Neste trabalho meu horário é flexível, mas sensação de culpa com que eu fico por ter faltado é bastante grande. Eu até fui ao churrasco, mas no começo não queria ir porque não me animei. Aí, quando cheguei lá, fiquei pensando no que tinha deixado de fazer e no que acumularia para o outro dia e também que eu teria de correr muito para colocar tudo em dia de novo. É a velha sensação de que eu sou o Indiana Jones e a vida é aquela bola de pedra gigante que vem em sua direção, prontinha para esmagá-lo. A verdade é que, mesmo depois de chegar em casa às 10 horas da noite, ainda estava com a cabeça no trabalho e até pensei em ir para lá trabalhar. Eu não consigo relaxar facilmente. Não acho que sou viciado em trabalho, mas como não tenho vida social, foco todas as minhas energias nisso. E o trabalho passa a ser a coisa mais importante da vida porque sem ele, não tenho nada.

Outro exemplo são viagens. Quando eu era mais novo, queria conhecer o mundo. Tinha a empolgação, mas não tinha o dinheiro. Agora, tenho o dinheiro e não tenho a empolgação, nem ninguém para me acompanhar. Alguma coisa matou minha alma no meio do caminho entre a infância e a vida adulta. Até penso em viajar, mas logo deixo de lado. Por exemplo, ir para Fortaleza: penso que eu não teria condições: coragem, força de vontade para pegar o carro e viajar até Campinas para pegar o avião. Ainda mais sozinho. Depois, lá na praia fazer coisas normais, acho que eu só ficaria no quarto sem fazer nada, dormindo ou acordado com medo de alguma coisa que provavelmente não aconteceria.

Então, penso que eu não teria condições de ter uma família. E fico incomodado com esta falta de vontade de viver. Quando começo a comparar minha vida com a de outras pessoas fico triste e desanimado. Também acontece quando imagino sobre a vida de pessoas próximas a mim. Imagino que a vida delas deve ser bem divertida e que elas amam a vida. E me sinto de lado. Fico com inveja de coisas que eu mesmo invento, que são frutos da minha imaginação. Sei que o certo é não fazer isso, o certo é não se comparar com outras pessoas, mas não consigo evitar. E aí, eu sofro.

Diante disso tudo, eu me pergunto: seria melhor viver nesta dor certa ou correr o risco de ter paz na morte?


Eduardo Ax

quarta-feira, 11 de maio de 2016

A arqui-inimiga

Hoje de manhã, uma colega de trabalho tentava conversar comigo, mas eu não estava com vontade nenhuma de conversar com ela, nem com ninguém. Ando muito desanimado ultimamente. É uma coisa muito estranha não querer fazer parte da vida.

Ontem, minha irmã foi em casa buscar o filho era meia noite e meia. Ela entrou pegou alguma coisa e saiu. Aí, eu fui ver se ela tinha trancado o portão, como sempre faço, mas ela ainda estava lá fora conversando com alguém. O filho ainda estava dentro de casa. Fui ver o que tinha acontecido e quando apareci no alpendre, ela fechou o portão bem rápido para que eu não visse quem era. Aí, ela entrou e quando perguntei quem era, ela não quis dizer. Insisti na pergunta e respondeu que era um amigo. Muito estranho isso.

Um tempo atrás, minha outra irmã viu que ela estava escondendo um homem dentro do carro. Ela não queria que ninguém visse aquela pessoa.

Juntando estes dois fatos, comecei a pensar que ela está saindo com homem casado. Pode não ser nada disso, mas foi o que eu pensei e isso ficou na minha cabeça. Ontem, ela devia estar com ele, pois é difícil de acreditar que algum amigo dela estivesse passando lá em frente por coincidência e parar para conversar à meia noite e meia. Me incomodei com este pensamento e pela sensação de ter sido enganado. Este pensamento pode ser apenas uma imaginação minha.

O que leva uma pessoa a agir desta forma?

Ontem, eu estava bem e depois disso fiquei um pouco perturbado. Não sou amigo desta irmã, nem nos falamos direito, mas este fato me incomodou. Então, apaguei o celular dela dos meus contatos e a bloquei no whatsapp. Não nos falamos por nenhum dos dois meios mesmo. Aliás, não nos falamos direito nem pessoalmente. Se eu fosse um super-herói, ela seria minha arqui-inimiga.

Ontem, depois disso, pensei em suicídio, pensei em como minha vida é patética, em como sou idiota.

Enquanto ela vive a vida fazendo coisas normais: mentindo, enganando as pessoas, folgando em cima dos outros, gastando bastante dinheiro – eu mal consigo telefonar para alguma pessoa. Ela me incomoda porque me faz comparar nossas vidas. Quando me comparo com ela, me sinto inferior e isso me deixa mal, embora não tenha nenhuma admiração pela pessoa que ela é.

Não sei explicar direito os motivos, mas a ideia de suicídio vem votando à minha cabeça. A cada dia que passa, penso cada vez mais nisso. Tudo me remete a isto.

Eduardo Ax

terça-feira, 26 de abril de 2016

Desabafo

Hoje, estou me sentindo mal porque é segunda feira e neste dia eu trabalho de manhã, de tarde e de noite. Fico muito ansioso com isto e para ajudar a me ferrar, acho que estou passando por uma forte crise de depressão. Já faz umas 3 semanas que tenho bastante vontade de chorar, e às vezes eu choro pensando no que minha vida é ou no que ela deixará de ser. Quando penso no futuro, não vejo nada bom. Só imagino coisas ruins acontecendo.  

Hoje, eu estava meio avoado, querendo não existir. Queria sumir, desaparecer, me anular. Há na minha cabeça uma forte sensação de impotência e de que algo ruim vai acontecer.

Queria conversar com algumas pessoas sobre o que eu sinto, mas eu não tenho amigos. Só sobra minha família e eu tentei conversar um pouco com a minha mãe, mas ela não estava com vontade de conversar e já me deu patadas, dizendo que eu sou muito repetitivo. Com ela raramente há um diálogo legal. Ela é daquelas pessoas que emitem opiniões preconceituosas sobre tudo porque falam sem pensar e sem medo de machucar ninguém. Talvez porque não goste de conversar. Nem sei o porquê ainda tento isso com ela. Ela também é mentirosa, daí vem o motivo de eu insistir tanto em um assunto com ela. Às vezes, fico pensando em como as mentiras delas atrapalharam na formação da minha personalidade. Hoje, eu praticamente não confio em ninguém.  

Minha irmã me ameaçou dizendo que entraria com um processo para que eu pagasse aluguel a ela. Com isso, comecei a pensar em sair de casa para ver se saio do buraco onde estou. Mas a verdade é que se eu sair daqui, provavelmente, afundarei ainda mais neste buraco. Comecei a pensar em comprar uma casa simples porque lá seria mais fácil de cometer suicídio. Lá eu seria sozinho e mais depressivo; seria mais fácil desistir da vida no auge da crise. Aqui várias coisas me impedem.  

Eduardo Ax

domingo, 24 de abril de 2016

Meus Sintomas de Fobia Social

Abaixo seguem numerados alguns sintomas da fobia social. Comento cada um deles de acordo com o que sinto e o que acontece comigo.

1 - Medo de ser julgado.

Acho que este é o principal sintoma da fobia social. Todos os outros sintomas acontecem por causa deste.

Tenho um medo enorme em ser julgado de forma ruim. As pessoas são maquiavélicas: na sua frente é uma coisa, pelas costas é outra. Na sua frente te julgam legal, gente boa, inteligente. Mas, na verdade, será que é isso mesmo que elas acham de você?

Antes ou depois de qualquer coisa que faço, me prendo ao que as pessoas vão pensar sobre a decisão que tomei. Fico com medo de ter tomado a decisão errada, que aquilo não tem volta e que para sempre serei penalizado por isto. Então, muitas e muitas vezes, eu fico paralisado e não consigo tomar nenhuma decisão. Quando isto acontece é muito doloroso.


2 - Medo de sentir vergonha, sentir-se ridículo ou ter atitudes constrangedoras em público.

Por incrível que pareça, não tenho tanta vergonha das pessoas, nem tenho medo de ser ridicularizado em situações do dia a dia. Mas quando está relacionado a situações amorosas, sinto muita vergonha e muito medo de ser zoado.

Já com atitudes constrangedoras em público, tenho medo sim. Por que dependendo do que acontecer, as pessoas que passarem pelo local farão um julgamento precipitado de mim. E sempre acho que ninguém vai ficar do meu lado.


3 - Ansiedade crônica, às vezes associada também aos ataques de pânico em casos de picos de ansiedade.

Acho que minha ansiedade é crônica. Sempre vivi tenso por causa do trabalho e não importa em qual trabalho eu esteja. Já saí de um emprego achando que meus problemas se resolveriam, mas não se resolveram. Então, o problema está em mim. Sempre esteve.

A sensação que tenho é de que a vida vai me atropela a qualquer momento. Para ser mais claro, tem uma cena do filme Indiana Jones em ele corre de uma bola de pedra gigante para não ser esmagado: é assim que me sinto durante a maior parte do meu dia. Então, sempre estou tenso, tentando prever o futuro, imaginando situações e o que eu faria em cada uma delas. A qualquer momento posso ser atropelado pela gigante bola de pedra.


4 - Ansiedade antecipatória, isto é, aquela que surge antes de se expor socialmente, só de se pensar na situação temida.

Este sintoma também é muito importante no meu caso. Penso 500 vezes antes de fazer algo relacionado a sair para me divertir, namorar ou que envolve outras pessoas. Acho que verei coisas que não me agradam, como por exemplo, a garota que estou gostando com outro cara.

Também tem a tensão pré-festa. Aqui em casa, desde que me entendo por gente, quando íamos viajar, a uma festa ou comer fora, sempre era/é um estresse muito grande. Brigas, discórdias e tensão precediam o que depois seria um momento de felicidade, alegria e prazer. Então, chegou um momento em que pensei “Se eu não for a esta festa, não vou ter que passar pela tortura que sempre passo.” E, assim, comecei a evitar sair. O prazer de estar na festa não compensava o sofrimento. Eu dava demais e recebia de menos. A energia que saia de mim era bem maior do que a que entrava.

Tem também a tensão de que vou imaginar quem estará lá e o que acontecerá. E se eu não gostar de quem vai? E se eu não souber o que fazer ou dizer? Me torturo com isto.  


5 - Desejo intenso de esquivar-se de situações que serão enfrentadas ou de fugir de situações que estão já sendo enfrentadas.

Me esquivo, fujo, evito situações que vão acabar comigo emocionalmente, que são aquelas em que tenho de me expor socialmente. Minha vida é de casa para o trabalho e do trabalho para a casa.

Nunca saio para barzinhos e baladas porque não gosto. Não sei lidar com mulheres quando tenho algum interesse amoroso. Me sinto um idiota. Se tenho interesse em alguém ou acho que alguém está interessado em mim, não sei como agir, o que falar e nem levar a coisa para um outro nível. Fico muito embaraçado e me sinto muito mal depois, quando nada do que eu quis, deu certo. É muito frustrante.

Embora eu consiga lidar de uma forma razoavelmente bem com situações que já estão sendo enfrentadas, sempre que posso as evito. Por pressão, muitas vezes tive vontade de sair correndo de um lugar, mas pouquíssimas vezes o fiz. Então, acho que já tive crises de pânico, mas por conviver com isto a vida toda, acho que é normal para mim.  

Costumo comparar as sensações de pânico com as sensações do amor, de quando se está apaixonado. A descarga de adrenalina é a mesma quando estou em pânico ou quando chego perto de alguém de quem gosto. É tão parecido que às vezes chego a me perguntar se estas sensações são mesmo amor ou se é apenas pânico e eu não conheço a sensação do amor.


6 - Medo de desconhecer o protocolo social do ambiente e comportar-se de modo inadequado em situações sociais.

Evito sair porque faz parte da minha maluquice achar que a minha roupa não vai estar de acordo com o resto das pessoas.

Acho que vou agir errado em chegar numa moça e dar em cima dela. Como se eu passasse por cima de seus valores. É por causa deste tipo de baboseira que estou neste buraco.


7 - Falta de habilidade social para interagir com pessoas diferentes em termos de hábitos culturais, classes sociais, grau intelectual, ideologias de vida e qualquer fator que gere distanciamento social e colocando-o como inferior no grupo.

Em termos gerais, tenho uma falta de habilidade para lidar com qualquer pessoa. No entanto, se for uma pessoa superior a mim, como um patrão, por exemplo, isto se agrava. Tenho medo de perder o emprego, ser mal compreendido e me ferrar. Evito sempre falar com pessoas de hierarquia superior à minha porque tenho medo de fazer alguma coisa errada.

Quando gosto de alguém, esta pessoa passa a estar acima de mim. E eu passo a ter medo dela porque ela tem meus sentimentos em suas mãos, ela tem meu ponto franco.


8 - Pensamentos negativos em relação à situação e à própria conduta, que consequentemente leva a um aumento ainda maior da ansiedade.

Sempre acho que falo alguma coisa errada para a pessoa errada. E penso que “Eu não deveria ter dito aquilo”. Fico com isso na cabeça por alguns dias. Então, me sinto um burro.

Acho que tudo em mim é ruim. Minha cabeça é muito atrapalhada. Quem vai querer uma pessoa com tantos problemas como eu? Sempre acho que estou fedendo, que tem algo errado na minha roupa ou no meu rosto. Tudo o que é meu é ruim, tudo dos outros é bom. Para mim só sobram os restos que ninguém quis. Me acho um idiota por ajudar as pessoas, sendo que elas não fariam o mesmo por mim.


9 - Medo de enrubescer-se ou balbuciar.

Apesar de balbuciar algumas vezes, isto não me dá medo.


10 - Angústia e turvação do pensamento.

Por todos os motivos que já falei, sinto uma tristeza muito grande. Sofro bastante com isso e este sofrimento, muitas vezes, faz com que eu veja as coisas fora da realidade. Meus pensamentos são desconexos, falo uma coisa e depois não consigo completar o pensamento, me perco nele. Fico ininteligível – percebo que não consigo me fazer entender – e isso me entristece muito. São tantos pensamentos que não consigo colocar em ordem e expor para alguém. Eu falo, falo e não consigo chegar a lugar nenhum. Esqueço do que eu acabei de dizer. Às vezes, penso que entendo o mundo de forma errada e acho que minha interpretação errônea dele fez com que eu chegasse ao fundo do poço, que é onde estou. Eu não tenho solução.


11 - Isolamento social.

Nunca tive namorada de verdade. Só uma quando eu tinha 16 anos e durou 2 semanas, mas eu não gostava dela, só namorei para falar que já tinha namorado alguma vez. Depois disso, nunca mais. Prometi para mim mesmo que só namoraria se gostasse mesmo da pessoa. Então, eu tenho que gostar primeiro para depois tentar alguma coisa. Isto foi um erro. Perdi muitas oportunidades que não voltarão. Nunca tive ajuda com este negócio de relacionamentos. Será que ninguém viu que eu precisava disto?

Hoje, eu não saio com ninguém, além da minha família. Não tenho amigos. Confio nas pessoas com o pé atrás, ou seja, não confio de verdade em ninguém.


12 - Choro devido a constrangimentos.

Não sei se meu choro é de constrangimento. Acho que não. Mas choro porque não consegui ter uma vida feliz. É raro eu chorar. Mas espero juntar e choro tudinho de montão no fim do ano. As coisas vão acontecendo e se acumulando, chega uma hora, que a situação mais besta, me faz pensar na vida e eu choro. Choro porque me sinto fracassado.

Meu choro acontece na maioria das vezes por frustração. Pelo que podia ser e não foi. Por mulheres que gosto e que não tenho nenhuma chance, porque nunca tento. Choro por ser assim.


13 - Tensão muscular

Sempre estou tenso. Uso uma placa de acrílico na boca para dormir por causa de bruxismo. Ranjo os dentes a noite. Acho que é uma forma inconsciente de extravasar a minha tensão do dia.

O que me deixa mais tenso é tentar fazer tudo certo no trabalho. Coisas amorosas e relacionamento com gente também me deixam tenso, mas não muito porque eu sempre posso deixar pra lá. Já o trabalho não posso fazer isso porque eu preciso comer e pagar contas. Então, eu tenho que suportar. É difícil, mas isto eu consigo fazer. Fui treinado sob pressão desde pequeno, as pessoas da escola e as da minha casa me puseram no limite desde muito cedo.
  

14 – Sudorese

Quando estou ansioso, nervoso, suo bastante debaixo no braço, nas axilas. Isto acontece mesmo usando desodorante antitranspirante.


15 - Rubor facial

Isto não me incomoda muito. Nem sei se acontece porque nas situações que temo não estou olhando para o meu próprio rosto.


16 - Dificuldade para falar (voz trêmula e voz presa)

Depende do nível da crise. Se a coisa está feia, não consigo falar direito ou falo com medo na voz.


17 - Mãos e corpo trêmulos,

Minha mão treme bastante. O corpo não é algo que me incomode, mas o treme-treme da minha mão me faz achar que vou mesmo ter mal de Parkinson, como o meu pai. Talvez – e é bem provável – eu também me mate, como ele fez.


18 - Falta de ar

Não sinto falta de ar. O que faço quando acho que estou em crise é inspirar profundamente e expirar devagar para dar uma relaxada. Faço isso várias vezes e tento não deixar que outras pessoas percebam.

19 - Sensação de frio no peito

Não sinto isto. O que eu já percebi é que quando estou mal, sinto frio com maior facilidade. Pode até estar calor, mas eu sinto frio.

20 - Boca seca

Não sei dizer. Sempre estou uma garrafinha de água do meu lado. O que eu já percebi é que sempre que eu fico um pouco ansioso, bebo um gole de água para dar uma espairecida.  

21 – Palpitações/ Batimento cardíaco acelerado

Meu coração sempre dispara quando estou enfrentando a crise de ansiedade. Algumas vezes, acho que ele vai sair pela boca. Já teve um dia que eu achei que estava infartando, com dor no braço e tudo.

22 – Diarréia /Vontade frequente de urinar

A ansiedade me faz ir ao banheiro antes de ir trabalhar, para ter certeza de que não precisarei fazer cocô no trabalho. Quando tenho crises extremas de depressão e ansiedade, acontece de dar diarréia. Mas faz tempo que não acontece. Vou bastante ao banheiro fazer xixi. É normal porque bebo bastante água.


Eduardo Ax

sábado, 23 de abril de 2016

Sou uma ilha

Hoje, percebi que estou ilhado em mim. Não consigo fazer conexões reais com ninguém. Me perco em meu mundo imaginário. Notei que, algumas vezes, somente a minha imaginação basta e me deixa satisfeito. No entanto, há momentos em que a realidade aparece e me joga no chão logo após um espancamento psicológico. Queria que a realidade me bastasse.

Sofro de fobia social e não sei o momento exato que aconteceu, mas hoje percebi que estou perdido. Sou um caso perdido. Estou num caminho sem volta. Antes, até achava que eu tinha conserto, mas não tenho.

Acho que tudo começou quando eu era criança. Mas depois de adulto, a coisa só foi piorando ainda mais. Perdi o controle e não tive ninguém para me ajudar. Esta é uma doença que quase ninguém entende ou conhece. É mais fácil dizerem que é frescura ou esquisitice.

Quando eu era criança, me sentia excluído. Estudava numa escola com pessoas mais ricas do que eu. E eu nunca conseguia fazer amizade com os colegas da minha classe. Eu sempre era amigo do pessoal da outra sala.

Hoje, além de me sentir excluído, sinto que nunca fiz parte.

Me sinto perdido até no facebook. Por isso, apaguei o meu. As pessoas lá são muito felizes e minha inveja comparativa estava me fazendo mal.

Hoje, apaguei meu whatsapp. Percebi que não há motivos para tê-lo porque ninguém me manda mensagem. Ninguém lembra que eu existo, além de algumas pessoas da minha família. Sei que isto já deveria ser o suficiente, mas hoje eu sinto que preciso de mais.

A ideia de suicídio vem voltando. Devagarzinho. E sinto que quando chegar, chegará com muita força. Hoje, sinto uma sensação de que talvez tudo fosse melhor se eu não existisse. Nunca vi sentido na vida, nunca estendi esta coisa de sofrer, chorar e se ferrar para depois morrer. Não seria melhor pegar um atalho?

As pessoas são tão egoístas que me desanima muito. Eu também sou egoísta, às vezes. Não sei se sempre fui – o fato de não ter amigos me leva fortemente a crer que sim, sempre fui e talvez eu mereça mesmo o que está acontecendo comigo –, mas cada dia mais penso só em mim.

As pessoas ao meu redor não são confiáveis. É preciso confiar desconfiando. Acho que sempre querem me fazer mal. Os momentos de relaxamento são poucos. Coisas bestas, cotidianas, viram um monstro de dez cabeças à toa. Quem consegue viver assim?

Então, para me blindar eu meu isolo.

Eduardo Ax