quarta-feira, 11 de maio de 2016

A arqui-inimiga

Hoje de manhã, uma colega de trabalho tentava conversar comigo, mas eu não estava com vontade nenhuma de conversar com ela, nem com ninguém. Ando muito desanimado ultimamente. É uma coisa muito estranha não querer fazer parte da vida.

Ontem, minha irmã foi em casa buscar o filho era meia noite e meia. Ela entrou pegou alguma coisa e saiu. Aí, eu fui ver se ela tinha trancado o portão, como sempre faço, mas ela ainda estava lá fora conversando com alguém. O filho ainda estava dentro de casa. Fui ver o que tinha acontecido e quando apareci no alpendre, ela fechou o portão bem rápido para que eu não visse quem era. Aí, ela entrou e quando perguntei quem era, ela não quis dizer. Insisti na pergunta e respondeu que era um amigo. Muito estranho isso.

Um tempo atrás, minha outra irmã viu que ela estava escondendo um homem dentro do carro. Ela não queria que ninguém visse aquela pessoa.

Juntando estes dois fatos, comecei a pensar que ela está saindo com homem casado. Pode não ser nada disso, mas foi o que eu pensei e isso ficou na minha cabeça. Ontem, ela devia estar com ele, pois é difícil de acreditar que algum amigo dela estivesse passando lá em frente por coincidência e parar para conversar à meia noite e meia. Me incomodei com este pensamento e pela sensação de ter sido enganado. Este pensamento pode ser apenas uma imaginação minha.

O que leva uma pessoa a agir desta forma?

Ontem, eu estava bem e depois disso fiquei um pouco perturbado. Não sou amigo desta irmã, nem nos falamos direito, mas este fato me incomodou. Então, apaguei o celular dela dos meus contatos e a bloquei no whatsapp. Não nos falamos por nenhum dos dois meios mesmo. Aliás, não nos falamos direito nem pessoalmente. Se eu fosse um super-herói, ela seria minha arqui-inimiga.

Ontem, depois disso, pensei em suicídio, pensei em como minha vida é patética, em como sou idiota.

Enquanto ela vive a vida fazendo coisas normais: mentindo, enganando as pessoas, folgando em cima dos outros, gastando bastante dinheiro – eu mal consigo telefonar para alguma pessoa. Ela me incomoda porque me faz comparar nossas vidas. Quando me comparo com ela, me sinto inferior e isso me deixa mal, embora não tenha nenhuma admiração pela pessoa que ela é.

Não sei explicar direito os motivos, mas a ideia de suicídio vem votando à minha cabeça. A cada dia que passa, penso cada vez mais nisso. Tudo me remete a isto.

Eduardo Ax

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