sábado, 23 de abril de 2016

Sou uma ilha

Hoje, percebi que estou ilhado em mim. Não consigo fazer conexões reais com ninguém. Me perco em meu mundo imaginário. Notei que, algumas vezes, somente a minha imaginação basta e me deixa satisfeito. No entanto, há momentos em que a realidade aparece e me joga no chão logo após um espancamento psicológico. Queria que a realidade me bastasse.

Sofro de fobia social e não sei o momento exato que aconteceu, mas hoje percebi que estou perdido. Sou um caso perdido. Estou num caminho sem volta. Antes, até achava que eu tinha conserto, mas não tenho.

Acho que tudo começou quando eu era criança. Mas depois de adulto, a coisa só foi piorando ainda mais. Perdi o controle e não tive ninguém para me ajudar. Esta é uma doença que quase ninguém entende ou conhece. É mais fácil dizerem que é frescura ou esquisitice.

Quando eu era criança, me sentia excluído. Estudava numa escola com pessoas mais ricas do que eu. E eu nunca conseguia fazer amizade com os colegas da minha classe. Eu sempre era amigo do pessoal da outra sala.

Hoje, além de me sentir excluído, sinto que nunca fiz parte.

Me sinto perdido até no facebook. Por isso, apaguei o meu. As pessoas lá são muito felizes e minha inveja comparativa estava me fazendo mal.

Hoje, apaguei meu whatsapp. Percebi que não há motivos para tê-lo porque ninguém me manda mensagem. Ninguém lembra que eu existo, além de algumas pessoas da minha família. Sei que isto já deveria ser o suficiente, mas hoje eu sinto que preciso de mais.

A ideia de suicídio vem voltando. Devagarzinho. E sinto que quando chegar, chegará com muita força. Hoje, sinto uma sensação de que talvez tudo fosse melhor se eu não existisse. Nunca vi sentido na vida, nunca estendi esta coisa de sofrer, chorar e se ferrar para depois morrer. Não seria melhor pegar um atalho?

As pessoas são tão egoístas que me desanima muito. Eu também sou egoísta, às vezes. Não sei se sempre fui – o fato de não ter amigos me leva fortemente a crer que sim, sempre fui e talvez eu mereça mesmo o que está acontecendo comigo –, mas cada dia mais penso só em mim.

As pessoas ao meu redor não são confiáveis. É preciso confiar desconfiando. Acho que sempre querem me fazer mal. Os momentos de relaxamento são poucos. Coisas bestas, cotidianas, viram um monstro de dez cabeças à toa. Quem consegue viver assim?

Então, para me blindar eu meu isolo.

Eduardo Ax

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