Hoje
me dei conta que perdi a vontade de viver. Nesta semana, pensei bastante em
suicídio. Cheguei ao ponto de quase comprar uma corda e até aprendi a fazer um
nó de forca vendo vídeos no YouTube.
Cheguei
a esta conclusão depois de notar várias situações em que pessoas normais se
sentiriam animadas, empolgadas; e eu percebi que no lugar já não me sentiria
assim.
Mesmo
com situações adversas, as pessoas insistem e vão em frente. Mesmo que tudo dê
errado, elas não desanimam e tentam novamente. Eu não. Estou no ponto de não
ter nem a empolgação inicial porque a só possibilidade de dar errado me
desanima.
Exemplos:
Minha
mãe com mais de 60 anos tirou uma nova carta para poder comprar um carro para
deficientes com benefícios financeiros. Ela teve de repetir todo um processo de
autoescola. E ainda teve de procurar um advogado para arrumar toda uma papelada
e ir a médicos para pegar laudos. Com certeza deve ter dado um trabalhão e,
para mim, ela não reclamou nem um pouco sobre nada disso. Aliás, eu quase nem
fiquei sabendo. Eu não teria ânimo para encarar tudo isto, mesmo sabendo há um
bom desconto de 30% ao comprar um carro novo.
Outro
exemplo é festa do peão. Eu não tenho nenhuma vontade de ir, nem ânimo. Às
vezes, penso “Que bom que eu não namoro, porque eu não gostaria de ir nesta
festa”. Vejo as pessoas super-animadas e ela vão todos os dias. Fico um
pouco incomodado com isso, fico com um pouco de inveja porque imagino que eles se
divertirão horrores e eu não. Ao mesmo tempo, tenho a sensação de que se eu
for, não será nada divertido. Então, eu não gosto da festa, mas me sinto
isolado e mal porque todo mundo vai e eu não. Fico com a sensação de que a
minha vida será vazia e não vou ter histórias para contar.
Mais
um exemplo foi um churrasco na casa da minha irmã. Ela me chamou em cima da
hora, mas eu tinha que trabalhar. Neste trabalho meu horário é flexível, mas
sensação de culpa com que eu fico por ter faltado é bastante grande. Eu até fui
ao churrasco, mas no começo não queria ir porque não me animei. Aí, quando
cheguei lá, fiquei pensando no que tinha deixado de fazer e no que acumularia
para o outro dia e também que eu teria de correr muito para colocar tudo em dia
de novo. É a velha sensação de que eu sou o Indiana Jones e a vida é aquela
bola de pedra gigante que vem em sua direção, prontinha para esmagá-lo. A
verdade é que, mesmo depois de chegar em casa às 10 horas da noite, ainda
estava com a cabeça no trabalho e até pensei em ir para lá trabalhar. Eu não
consigo relaxar facilmente. Não acho que sou viciado em trabalho, mas como não
tenho vida social, foco todas as minhas energias nisso. E o trabalho passa a
ser a coisa mais importante da vida porque sem ele, não tenho nada.
Outro
exemplo são viagens. Quando eu era mais novo, queria conhecer o mundo. Tinha a
empolgação, mas não tinha o dinheiro. Agora, tenho o dinheiro e não tenho a
empolgação, nem ninguém para me acompanhar. Alguma coisa matou minha alma no
meio do caminho entre a infância e a vida adulta. Até penso em viajar, mas logo
deixo de lado. Por exemplo, ir para Fortaleza: penso que eu não teria condições:
coragem, força de vontade para pegar o carro e viajar até Campinas para pegar o
avião. Ainda mais sozinho. Depois, lá na praia fazer coisas normais, acho que
eu só ficaria no quarto sem fazer nada, dormindo ou acordado com medo de alguma
coisa que provavelmente não aconteceria.
Então,
penso que eu não teria condições de ter uma família. E fico incomodado com esta
falta de vontade de viver. Quando começo a comparar minha vida com a de outras
pessoas fico triste e desanimado. Também acontece quando imagino sobre a vida
de pessoas próximas a mim. Imagino que a vida delas deve ser bem divertida e
que elas amam a vida. E me sinto de lado. Fico com inveja de coisas que eu
mesmo invento, que são frutos da minha imaginação. Sei que o certo é não fazer
isso, o certo é não se comparar com outras pessoas, mas não consigo evitar. E
aí, eu sofro.
Diante
disso tudo, eu me pergunto: seria melhor viver nesta dor certa ou correr o
risco de ter paz na morte?
Eduardo
Ax